Deusas com sotaque mineiro
Drapeados de Madame Grès e deusas gregas inspiram Victor Dzenk
Para quem achava que os drapeados ficariam como lembrança das noites quentes deste verão, Victor Dzenk alerta para a continuidade da tendência. Portanto, repense a idéia de elimina-los do guarda-roupa. A diferença é a mudança de referência. Sai Vionnet e entra em cena Alix Barton, ou melhor, Madame Grès, que vestiu “deusas” como Greta Garbo e Marlene Dietrich. Foram seus drapeados quase volumosos e a construção em moulage que mais instigaram Dzenk.
O estilista conta que teve apoio da historiadora e artista plástica Yara Tupinambá, sua conterrânea, para turbinar o tema (festa dionisíaca) e dar vida fashion a referências à Grécia antiga. Além do shape dos vestidos, os links apareceram principalmente nas estampas, ponto forte no trabalho de Dzenk, e nos tricôs com detalhes de cachos de uva e folhas em 3D.
O trabalho artesanal enriquece as peças: drapeados minuciosos, dobraduras e ponto tipo “mosquinha” ora ajustam os vestidos ao corpo ora tornam a modelagem ampla e volumosa. Assim, formas rígidas, arquitetônicas, contrapõem-se aos longos esvoaçantes em estilo império. Entre um e outro, ficam os minivestidos tipo tulipa ou com decote assimétrico. Para tornar a coleção viável comercialmente – já que o trabalho manual normalmente encarece as peças – o estilista uniu um grupo grande de bordadeiras em sua cidade natal, Lagoa Santa.
Há, na coleção, detalhes polêmicos, como as tiras de tecido que flutuam ao menor movimento do corpo. Destaque para a engenhosidade hi-lo dos maxicintos rendados: base de borracha com bordados em fios metalizados.















