Lalique é uma festa!
Do futurismo cool do verão passado até o art nouveau de René Lalique deste inverno 2010, a Acquastudio percorreu um looongo caminho na linha fashion do tempo. Esther Bauman parece ter uma visão muito clara de quem ela é, para quem cria e o que espera de sua grife, instalada num megagalpão na Barra Funda,em São Paulo. “Busco um design acessível”, resumiu ela no backstage – a quem interessar possa, um belo modelo sob medida da grife sai em torno de R$ 2.500.
Imagine, então, o desafio que deve ser viabilizar comercialmente os modelos superdetalhados desta coleção, mais feminina e delicada do que a passada. Originais e totalmente eye-catching eram os tressês de gaze de seda, as flores-fuxico do vestido rosa antigo que abriu o desfile e as barbatanas revestidas de seda e salpicadas de cristais (com o jogo de luz e caminhar das modelos, os roletês tinham efeito de pisca-pisca). Tantas texturas e detalhes de acabamento evidenciam o esforço da grife em trabalhar o artesanato de maneira nova, fugindo dos caminhos mais óbvios da moda festa (leia-se bordados mil e drapeados sem fim).
A sinuosidade dos vasos de Lalique deu vida à silhueta-chave dos vestidos: corseletados e justos em cima e volumosos e estruturados embaixo – shape febre na estação passada que segue como opção número um. Alguns modelos poderiam ser um pouco mais curtos e acinturados, para conferir um desenho mais longilíneo ao corpo das modelos. Mas é apenas um detalhe de um desfile bastante bom, com ótimo styling (linda a touca salpicada de cristais e a ankle boot FernandoPires), música francesa suave e um mix bem dosado de pegada conceitual e apelo comercial.















